01/04/2014

Meus valores

O mais forte deles em mim: Não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem comigo.
- Não privilegiar ninguém, nem a mim mesma, sob quaisquer circunstâncias. Isso ainda entra no item 1, pois não aceito privilégios. 
- Dar oportunidade, mas não fazer por ninguém. Não gosto que me empurrem, não empurro ninguém. Ainda entra no item 1.
- Preparação vem antes da oportunidade, sempre. Depois vem a oportunidade, e se eu entrar nela, é porque estou preparada. Isso não é sorte. É a observação constante de onde posso estar, e estarei naquele lugar, porque é objetivo e porque me preparo para a oportunidade. 
- Não transferir minha responsabilidade para ninguém. Tudo na minha vida escolho eu, e quando a escolha é dos outros, eu posso ainda escolher como reagir. 
- Aceitar as consequências das minhas escolhas. Aceitar as consequências das escolhas alheias reagindo como eu escolhi. 
- Tudo tem ação e reação, causa e efeito. Não há como esperar boas consequências com más ações. Mas também não é possível esperar apenas bons efeitos com boas ações. Algumas vezes as reações partem de outro ser humano que não tem gratidão, que não pensa no item 1, que simplesmente não está ligando para as boas ações. É o egoísmo.
- Assumir meus defeitos e tentar melhorar, todos os dias, um pouco para eliminar o defeito. Se eu os desconheço, conto com quem está próximo e me ama para corrigir meu rumo (isso é feedback). 
- Ter empatia para entender que nem tudo é programado e planejado, aceito desculpas, desde que não se repita o erro. Errar é aprendizado. Persistir no erro é falta de respeito. 
- Aprender sempre e mudar de opinião com frequência necessária para evoluir. Não há evolução sem mudança.
São meus valores. É meu mundo.

07/03/2014

Dia das mulheres e meu eterno desencanto por este dia

A desigualdade para os gêneros, me é um calcanhar de aquiles. Sempre pensamos na lei maria da penha, nas questões de agressões fisicas de toda ordem, mas mulheres que morrem espancadas, estupradas com a desculpa de que são mulheres. Devem obedecer. Isso é selvageria. Ainda temos selvagens aos montes. Enfim. Tema cheio de nuances, bem complexo mas que me faz pensar, criar leis, iniciar "lutas" por direitos. Eu quero lembrar, das pequenas e diárias agressões contra o gênero feminino, que por serem infinitamente menores que uma agressão física não são tidas com importância, mas quando você soma, identifica que as agressões não param por ali, no que tange a lei de Maria. - Mulher tem que usar salto alto. Se não usa, não é feminina... - Mulher tem que estar perfumada, maquiada, não pode ter espinhas, tem que viver na base de cosméticos ou se diz "que não se cuida". - Depilação para mulheres é vista como questão de HIGIÊNE. - Mulher tem que usar saias (homens não), e se não usa é mulher macho. - é muito mais cuidadosa que homens ao volante, mas tem uma piadinha específica "mulher no volante, perigo constante". - O mercado de trabalho divido em profissões femininas e profissões masculinas, e quando a mulher está fora do "circulo determinado pela sociedade" é mulher macho. - A mulher não tem as mesmas oportunidades de crescimento profissional pq vai ficar de licença maternidade - Tem o salário menor que o colega do lado com a desculpa que se ausenta para cuidar dos filhos, em muitos casos, essa diferença ocorre para mulheres sem filhos. - Tem que deixar a feminilidade de lado, se quiser ser respeitada no ambiente de trabalho. - Tem a tripla jornada, como se não bastasse ganhar menos. - Tem mais qualificação, é estatístico, mas não são levadas a sério profissionalmente, e novamente, ganham menos que os homens menos qualificados. - Não podem ter um dia cansativo, ter dor de cabeça, pois isso é só uma desculpa para não fazer sexo com o parceiro. Enquanto o outro gênero tem uma gripe, e morre em cima da cama por dias. - Já vi anúncios de emprego claramente definindo a preferência por homens, mesmo que o conhecimento e experiência solicitados sejam atendidos por mulheres. - Entre tantas outras que eu não consigo numerar, façam suas contribuições. Eu particularmente, ouço isso e ignoro, mas quantas são escravas dos esteriótipos acima? Ainda, depois de 10 anos na mesma área, tenho que provar que conheço tecnicamente (apesar de todas as minhas certificações) que sei o que estou falando. São as pequenas agressões que demonstram que não há igualdade entre gêneros. A sociedade não contribui em nada para diminuir esta diferença, e aí incluo mesmo as mulheres. As mulheres que criam os machistas, as mães que não ensinam que lugar de mulher é em qualquer lugar que ela quiser. Tenho dois filhos e os educo para não colaborarem com esta desigualdade de algumas formas: mostrando que eu mesma faço e estou onde eu quiser, não dando importância para a aparência mas para as ideias positivas, e dando a eles a oportunidade de fazer exatamente tudo que eu faço sem distinção. Fico feliz em ver na escola de futebol do meu filho, as meninas lá no meio, junto com eles, jogando bola. E jogam melhor que muitos garotos ali. Aptidão, e ambiente apropriado para educação, onde não há diferença e há oportunidade para todos e todAS. Assim, dois possíveis machistas não existirão mais.

26/02/2014

Um desabafo diante da superioridade

COF, COF COF, dá licença, COF COF. Tirando a poeira e as teias de aranha para escrever este post. 

E o motivo, é que aparentemente o único espaço em que você pode falar sem tomar pedra antes de terminar o que tem a dizer, é no seu próprio blog. 

"Falar em público sempre tem consequências e julgamentos", disse o professor de técnicas de comunicação da FGV.

Ele está correto. Em tempos onde é "direito" a liberdade de expressão, e as pessoas literalmente lutam por isso, é de espantar que a gente tenha que ficar preso no próprio blog pra falar. 

A unanimidade é burra. Há estudos sobre isso que comprovam que seguir a maioria não é inteligencia. Você pode morrer queimado por seguir a maioria. Experimentos do gênero feitos, e ainda estamos unânimes e querendo que todos tenham as mesmas opiniões que a gente.

Estou aqui lamentando, pois há uns dias, diante da discussão toda sobre redução da maioridade penal, expressei minha opinião em uma comunidade espírita. 

Fiquei com medo das reações. Não esperava por aquilo desde que me "desliguei" de um grupo no yahoo em que tínhamos pessoas dizendo que eram "espíritas ortodoxas". Seja lá o que for isso na cabeça dessas pessoas, o importante é saber que basicamente ali, se você não achava que espiritismo é ciência e somente ciência, você não era evoluído (oi?).

Não se ganha nada com estes rótulos, e nem mesmo com o rótulo de ser espirita ou não. Ninguém é superior por que leu ou conhece Kardec e as 5 obras. 

O que eu aprendi com Kardec foi a fé raciocinada, e quando me deparo com a interpretação literal de textos do Livro dos espíritos, eu me assusto.

Não porque não acredite nas coisas que ali estão escritas, mas aquilo não é cravado e serve de ponto único e exclusivo. Não é biblia, em que "se está escrito você tem que acreditar e ponto final". 

Estas obras não foram feitas com este intuito, e se você estuda atentamente a matéria, percebe que há muito mais conceitos sendo AINDA desenvolvidos e estudados. 

Tá no livro, não se discute. É tradução literal, sem interpretação, mas não se discute. 

Me baseando na pergunta 796 do Livro dos Espíritos (Capítulo VIII - Da lei do progresso / Progresso da legislação humana - perguntas de 794 a 797), afirmei que achava necessária a redução da maioridade penal, apesar de acreditar que não seria a solução para a criminalidade. 

A começar pela pergunta, a resposta óbvia é "NÃO, não resolve a criminalidade". Primeiro porque não há um único foco de criminalidade, e não é a maioridade penal que provoca toda a avalanche de violência. 

Outra coisa que me motiva a pensar assim, é que a maioria dos menores que se envolvem nesse tipo de encrenca, fazem a mando de algum adulto que argumenta que não pega nada pro menor. 

Ter uma lei, poderia dar motivos e argumentos para jovens não se meterem nessas coisas. Os jovens também sabem que "não pega nada pra eles". Mas se essa condição muda, o jovem também vai saber que vai pegar pra ele, e não se envolve nessas coisas. 

Opinião minha. Enfim, mas vamos ao que interessa. A tradução literal da pergunta. Primeiro ela inteira, e depois a minha interpretação por partes, já que somente aqui posso fazer isso.

796. No estado atual da sociedade, a severidade das leis penais não constitui uma necessidade?
“Uma sociedade depravada certamente precisa de leis severas. Infelizmente, essas leis mais se destinam a punir o mal depois de feito, do que a lhe secar a fonte. Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas"

DEPRAVADO: adj. Pervertido, degenerado, corrompido. / &151; S.m. Bras. Indivíduo libidinoso, dado a depravações, imoral.

Vamos analisar se estamos em um mundo depravado ou não. Existem ainda os pervertidos, degenerados, corrompidos? SIM. 

Estamos TODOS nessa sociedade, fora da definição citada acima? NÃO.

É unânime a ausência de corrupção, a moralidade, em nossa sociedade? NÃO.

O que ocorreria, se supondo que a palavra DEPRAVADA não se aplica a nossa sociedade atual, pois foi escrita em 1800 (não estavam mais na idade média nesta época, pra deixar claro), eliminássemos todas as leis, já que não precisamos delas considerando que "não estamos numa sociedade depravada"?

Experimente fazer este exercício mental. Se não tivéssemos leis hoje, certamente teríamos MUITO MUITO MUITO mais violência.
O sentimento de impunidade provocado pela não condenação de figuras que não cumprem as leis, já demonstra que a violência aumenta em razão do não cumprimento da lei existente. 

Se retiramos é o caos. Mas faça o exercício mental de pensar que não precisamos das leis. 

Outra parte: "Só a educação poderá reformar os homens, que, então, não precisarão mais de leis tão rigorosas"

Educamos na base? NÃO.
Todos as pessoas tem acesso a educação de forma igualitária? NÃO.
Nosso Estado provê educação, as famílias provêm educação? NÃO.
Os espíritas todos estão voltados para educação desde a base para a sociedade em que vivemos? NÃO. (isso me inclui, eu educo meus próximos, me educo, mas não há espaço ainda para apenas me dedicar a educação fora do meu círculo de influência).

Considerando todas as respostas colocadas frente à educação, ainda precisamos de leis rigorosas.

É mais que analisar uma pergunta e alegar que a interpretação está incorreta. Observe todos os itens da pergunta, faça perguntas diferentes dentro desta mesma. Use a imaginação e pense na nossa sociedade sem leis.

Pequenas corrupções como não devolver troco a mais, colar na prova, fazer bullying estão presentes em grande parte da sociedade. Não são criminosos explícitos. Mas retire as leis, e vamos ver no que dá. 

"Não somos espíritas porque somos os melhores, mas porque somos os piores".

Por ser pior, minhas opiniões não podem ser consideradas verdades absolutas. E se você acredita em verdade absoluta, e que está com ela, não devia estar sobre a Terra. Aqui é lugar de aprendizado para todos que aqui estão. 

"A ignorância é uma benção" eu sempre digo. Mas como se colocar nesta condição de ignorante se temos uma cabeça pra pensar, e meios de imaginar situações e cenários?

Não dá... Ninguém é superior a ninguém, e não poderíamos excluir e satirizar a opinião de outro porque não bate com a nossa "velha opinião formada sobre tudo".