Felizmente, pra mim, eu já mudei de opinião com este tipo de doença. Assim como eu achava, a maioria dos doentes acredita piamente que não se trata de alguma doença, mas uma frescurinha, vai passar. "É falta de pia de louça pra lavar".
Eu pensava assim, que as pessoas ditas depressivas, entre outras doenças psiquiatras, estavam na verdade com falta do que fazer.
Eu mudei de opinião, acho que depois de ver uma palestra de Divaldo Pereira Franco, há muitos anos atrás.
Eu acredito que o cérebro é um orgão, merece tratamento tanto quanto um rim, e ele pode dar problemas a ponto de ser tratado sim.
Diferente de qualquer outro orgão, não há dor envolvida em casos psquiátricos, então as pessoas até esquecem que esta parte do corpo é um orgão. Alguém que tem enxaqueca, faz tratamento e tem uma série de cuidados para não sentir dor no cérebro. Estas pessoas são compreendidas pela sociedade, elas tem problemas neurológicos.
"Psiquiatra é coisa de doido, desequilibrado, vai pro Juqueri".
Estamos em uma era, onde tudo como a humanidade conhecia se alterou de forma brusca. O que levavam milhares de anos para acontecer, acontecem em dias. Não precisa ser um cientista para notar que nosso corpo não está preparado para alterações bruscas. A evolução, by Darwin, tem milhares de anos entre uma posição e outra até chegar no homo sapiens!
O que a gente precisa se livrar, é do preconceito. E a gente eu digo inclusive os doentes.
A maioria não quer ficar dependendo de remédio psiquiatrico, mas tomaria remédio para pressão ou rins sem problemas.
E qual a diferença? É o preconceito, e nada mais. É normal precisar de remédio para pressão, é normal precisar tratar de tireoide, é normal tomar analgésico diariamente para a dor de cabeça. É normal tomar anti-concepcional, é normal tomar uma série de remédios, mas psiquiatrico não.
E as famílias e amigos ajudam e muito neste comportamento do doente. Enquanto há um que resiste à necessidade de remédios, o doente se sente sem apoio, por que se um acha que não precisa de remédios, este único com esta idéia dá a força necessária para o doente preconceituoso e para o doente que já não tem mais opinião própria sobre seu estado de saúde, ignorar até as recomendações médicas, enfim.
Engraçado que este resistente da família, ou o amigo, que critica e tem o preconceito, não percebe que não está ajudando em nada!
Cuidem dos seus pensamentos quanto a isso, tentem não ter preconceito ao ver alguém depressivo. Indiquem que façam uma avaliação. Pequenas depressões são normais, um dia de fossa, é natural e necessário pro ser humano.
O que deve ser considerado problema, são aquelas pessoas, que mudam completamente de comportamento e se mantém num comportamento inaceitável por muito tempo. Isso não pode ser tratado de forma superficial. Pode prejudicar a pessoa em longo prazo. E você que se diz amigo, que ama, tá esperando o que pra ajudar?
Mude seu pensamento, você pode ser o próximo depressivo, e será prejudicado por este pensamento fatalmente.
Felizmente eu mudei meu pensamento. Mas eu, sou só um beija-flor, fazendo a minha parte na história do incêndio.