24/01/2010

Auto-crítica destrutiva.

Pode parecer fora do normal que eu venha aqui falar de mim mesma, até porque a minha opção era e sempre foi "falar das minhas opiniões" e visões do mundo como ele deveria ser (pelo menos sob meu olhar), ou ainda sobre qualquer coisa relacionada a terceiros, nada que eu pudesse de fato mudar, só apontar o famoso dedo indicador.

Eis que por incrível que pareca, achei importante falar dessa experiência, porque no fim das contas, eu aprendi muito sobre mim mesma, sob o dedo indicador de outro.

Obviamente eu recebo dedos indicadores o tempo inteiro, como todo mundo, mas eu filtro muito, e só aceito as coisas quando têm fundamento e lógica.

Pra resumir, nosso Mestre disse, pra recusar trocentas verdades, a aceitar uma mentira.

É como eu penso.

Introdução à parte, eu fiz um curso denominado "Habilidade de Comunicação e técnicas de apresentações". Foram apenas 2 dias, e eu sei em minha alma, que há mais sobre comunicação do que um curso de 2 dias poderia me dizer.

Eu ando numa busca incrível sobre mim mesma, fora do normal, eu sempre tive essa auto-investigação, mas nada que eu abra publicamente. Meu inferno, não é desse mundo!

Como todo curso, você faz aquela noção de que vai lá para um objetivo X OU Y, nada como um E entre os dois itens! A gente nunca pensa na possibilidade de E, sempre na restrição do OU.

Começa com a apresentação de você, o que faz, onde trabalha, e sua dificuldade de comunicação e suas expectativas para o curso.

Eu comecei a pensar no que diria, e cheguei a conclusão de que eu estava ali, para entender porque algumas pessoas me julgam previamente como Arrogante, Folgada, entre outras coisas que eu ouço esporadicamente, mas ouço. Principalmente no trabalho.

Na minha vez de apresentar, a camera me intimidou, ou meu próprio EU o fez, eu falei que eu queria identificar isso, e corrigir. Queria que ninguém me visse como arrogante ou coisas que eu jamais quis demonstrar.

Eu gaguejei enquanto terminava de explicar o porque estava ali. Me senti pressionada e talvez arrogante, senti como se eu estivesse errada, e tudo mais. Tremia feito vara verde! E eu tenho costume de falar as coisas báisicas sobre mim, mas a minha necessidade era maior naquela hora, e a emoção tomou conta.

A coisa interessante foi o feedback. O instrutor me disse:

-  Patrícia, não vejo arrogancia em você, vejo em você uma força, uma coragem, que um dia você precisou ter. Você precisou ser forte um dia, e você continuou, é uma fortaleza. O que eu vejo em você é paixão. Você fala o que acredita, você é apaixonada por isso, é a paixão que te move a falar. E você  não fala se nao acreditar no que está falando. Essa preocupação é digna, você se preocupa com o que as pessoas entendem de você e quer melhorar. E o que eu posso te dizer, é que você não deve deixar essa paixão, esta qualidade não posso te ensinar. A maioria das coisas que nós percebemos está dentro de nós, e eu tenho certeza que você vai achar o que te pressiona. Mas não deixa sua paixão de lado, ela é importante e é uma qualidade.

MÁGICO! Ele não me conhecia, nunca o vi na vida, mas ele sabia quem eu era!

E eu refleti, naquele dia, quem eu era, e porque estava preocupada com aquilo.

E eu achei, encontrei dentro de mim a resposta que eu precisava.

Me preocupo demais com os outros, e as opiniões alheias me afetam sim, quando alguém me interpreta mal. Não me entendem, me julgam mas não me conhecem.


E porque eu me preocupo? Porque eu de fato não quero, e não me sinto uma má pessoa. Mas sou de fato apaixonada! E isso deixa alguns longe. Eles não me querem perto, me criticam quando não estou próxima deles, porque tem medo da minha reação. Mas eu sou muito consciente, de que existe a ala que me ama, e a outra que me odeia, mas nao quero ser odiada!

E a conclusão que eu cheguei? Que eu me preocupo demais, com quem  na verdade não tem firmeza pra falar o que pensa, pra me confrontar, e me dizer o que acha que está errado em mim. E que eu não deveria me preocupar com estas pessoas, pois elas na verdade não tem nada sobre mim que possam argumentar e me fazer mudar.

Eu mudo com frequência quase absurda de opinião, desde que haja um excelente argumento que rebata meus pensamentos, e atitudes. Sou aberta a críticas construtivas, mas raramente elas chegam a mim.

Usei o curso como o meio de receber uma crítica, e não recebi. Recebi a confirmação de que não posso "agradar a gregos e troianos" antes de agradar a mim mesma. E eu me agrado!

Eu gosto de ser quem sou, e eu agradeço meus pais por terem me educado para ser sincera, com qualquer um que estiver no meu caminho, doa a quem doer!

E que doa a mim mesma, eu prefiro causar dor interna, a causar a externa. Mas até hoje, ninguém conseguiu me demonstrar que eu estou errada. A arrogancia que enxergam, quer dizer talvez simplesmente porque falo o que penso. E não nego o que penso.

Sou o que penso e se alguém se incomoda, se não me convencer com argumentos, eu estarei certa na minha realidade! No mundo e na vida como EU acho que deveria ser.


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